segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Arquitetura como manifestação política


     
      A arquitetura é, ou, pelo menos deveria ser, reflexo do momento histórico, das relações políticas, econômicas e sociais vigentes, em um sistema de causa e efeito. Trata-se de uma ferramenta potencialmente influente de crítica às condições de realidade e um instrumento “chave” de transformação social, por meio de sua forma a arquitetura questiona, confronta, incita, impõe. Porém os profissionais de arquitetura e urbanismo atuais têm mantido seu foco em um mercado muito reduzido, dito de luxo, considerado como a produção arquitetônica de sucesso, o que restringe muito seu campo de atuação a uma pequena parcela da sociedade, em detrimento à outra menos ostentosa, menos admirável, criando um distanciamento da realidade brasileira e subestimando as muitas possibilidades intrínsecas à profissão. Essa é uma lógica segregadora que coloca a arquitetura em uma posição de elitização, que não é própria dela. A arquitetura deve possuir um caráter social, voltar-se para a cidade como um todo, buscando um modelo de atuação política a partir das demandas da sociedade, integrando as diversas áreas, propondo melhorias, arquitetônicas e urbanísticas, e questionando padrões que mereçam ser discutidos. Fazer arquitetura não é apenas ordenar e organizar um espaço para determinada finalidade, vai muito além.

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