A arquitetura é, ou, pelo menos
deveria ser, reflexo do momento histórico, das relações políticas, econômicas e
sociais vigentes, em um sistema de causa e efeito. Trata-se de uma ferramenta
potencialmente influente de crítica às condições de realidade e um instrumento
“chave” de transformação social, por meio de sua forma a arquitetura questiona,
confronta, incita, impõe. Porém os profissionais de arquitetura e urbanismo
atuais têm mantido seu foco em um mercado muito reduzido, dito de luxo,
considerado como a produção arquitetônica de
sucesso, o que restringe muito seu campo de atuação a uma pequena parcela
da sociedade, em detrimento à outra menos ostentosa, menos admirável, criando
um distanciamento da realidade brasileira e subestimando as muitas
possibilidades intrínsecas à profissão. Essa é uma lógica segregadora que
coloca a arquitetura em uma posição de elitização, que não é própria dela. A
arquitetura deve possuir um caráter social, voltar-se para a cidade como um
todo, buscando um modelo de atuação política a partir das demandas da sociedade,
integrando as diversas áreas, propondo melhorias, arquitetônicas e
urbanísticas, e questionando padrões que mereçam ser discutidos. Fazer
arquitetura não é apenas ordenar e organizar um espaço para determinada
finalidade, vai muito além.
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