Trabalho Final da disciplina Tópicos em Teoria e Análise Crítica da Arquitetura e Urbanismo ministrada pela professora Flávia Nacif.
Grupo formado por: Amanda Acipreste, Danielle Lopes, Etienny Trindade, Fábio Passos, Gustavo Tristão.
Sumário
Introdução
Forma e Influência
Forma e Influência
Zaha Hadid e a Forma
Conclusão
Bibliografia
Introdução
“A forma segue a função”. O principio da corrente
funcionalista do século passado ainda é um dos grandes desafios na produção
arquitetônica atual. “A definição de forma é simplesmente forma ou
configuração” (Form and Function Today - Mary McLeod ). Desta forma, no âmbito
da arquitetura, entende-se forma como a morfologia do edifício, sua
organização, a relação entre cheiros e vazios, ritmo, materiais, texturas,
enfim, tudo o que configura o espaço.
Ocorre que muitas vezes a forma precede e prevalece à
função, deixando o potencial da arquitetura - sua função estética, social e
política - em segundo plano.
A banalização da forma resultado da cultura capitalista vem
desvinculando estes dois termos, que parecem estar cada vez mais distantes. Se
a forma não atende ao propósito de uso, de que vale tal forma? Destarte, o objeto perde toda sua riqueza
estética, quando na sua conotação de experiência visual e corpórea.
Forma + Influência
Nas artes autônomas como música, escultura e pintura, forma
e função (com proposta social, política ou cultural) nunca estiveram separadas,
diferentemente da arquitetura, que teve sua produção comprometida devido a este
afastamento.
De acordo com Odile Decq “(...) arquitetura é sempre
contextual e contingente, e a forma nunca vem primeiro. Não estou interessado
em fazer formas, apesar de um projeto sempre ter forma. Ao mesmo tempo, forma
na arquitetura não é apenas a influência externa. É uma relação mais complexa.”
A complexidade a que a autora se refere está diretamente relacionada com o
sublime, ou seja, o que se espera no ato projetual, do intimo e consciente do
arquiteto, bem como as experiências vivenciadas.
Com os avanços tecnológicos a concepção da forma por vezes é
banalizada. As diversas ferramentas e softwares abrem uma gama de
possibilidades criativas, que por vezes nos condicionam de acordo com suas
limitações. É claro que as novas tecnologias possibilitaram a construção de
edificações mais complexas, bem como o Guggenheim de Bilbao, do arquiteto Frank
Gehry, cuja forma só foi possível graças à estes programas de representação e
experimentação. Por vezes, quando o arquiteto tem o computador como sua
ferramenta principal e primeira de projeto ocorre um distanciamento do usuário
uma vez que o computador elimina o contexto em que o projeto está inserido.
Museu Guggenheim em Bilbao (Fonte: edificandoonline.blogspot.com)
Museu Guggenheim em Bilbao - Interior (Fonte: coolwallpapersblog.blogspot.com)
No
caso do museu de Guggenheim de Bibao ,que possui curvas esculturais, com
aparência de inacabado mas extremamente harmônico , apresenta as formas
desadaptadas do contexto que ele exerce. A inovação do edifício se limita a parte externa, uma
vez que seu interior apresenta as funções básicas de um museu convencional. O
contrario acontece no museu Guggenheim de Nova Iorque, de Frank Lloyd Wright, que remete, em sua forma espiral, à própria
historia da arte.
Museu Guggenheim em Nova York (Fonte: assimeugosto.com)
Museu Guggeinheim em Nova York - Interior (Fonte: villalobosbrothers.com)
No entanto, mesmo o mais mundano e utilitário
edifício tem forma, uma vez que matéria sem forma não existe. A partir da
movimentação de formas primárias, simples, da geometria espacial, é possível se
chegar a conformações complexas e inovadoras. Exemplo disso é o Peter Eisenman,
arquiteto que mesmo antes da inovação do computador, experimentou e manipulou
essas formas, com conceitos bem fundamentados. Um exemplo é o projeto da casa
Guardiola, onde essa manipulação do cubo é materializada.
Estudo da concepção da forma da Casa Guardiola - Peter Eisenmen (Fonte: http://www.youtube.com/watch?v=JAH97LcQ2Cs)
Função é determinada, mas não fixa, prescrita. Ela é “expansiva
e transformadora” (Mary McLeod – Form and Function Today), passível de
interpretações e intervenções. E é nessa relação simbiótica entre forma e
função que reside o potencial estético, social e crítico da arquitetura.
Zaha Hadid e a Forma
A arquiteta iraquiana radicada
em Londres é conhecida pelos seus projetos ousados, onde explora a
fragmentação, as formas curvilíneas alongadas, fluidas e complexas. Não é por
acaso que seus projetos são conhecidos internacionalmente pela originalidade e
conceito.
O mais notável nos trabalhos
da arquiteta é o fato de que forma nunca vem sozinha, apenas sua função
plástica. Um exemplo é o Guangzhou Opera House, localizada na cidade de
Guangzhou, na China. Externamente as fachadas são formadas por panos
triangulares de vidro e granito cinza-escuro apicoado, o que já deixa o
edifício, a priori, bem interessante. Mas a grande surpresa está nas duas
construções que abrigam um auditório cada um e um teatro com 1800 lugares. Aí,
as formas orgânicas tão usadas pela arquiteta, milimetricamente estudadas, têm
a função de afinar os parâmetros acústicos como reverberação, clareza e volume.
Além disso, as paredes douradas com a constelação de leds fazem com que o
ambiente desperte sensações únicas.
Guangzhou Opera House (Fonte: http://www.zaha-hadid.com/archive/)
Guangzhou Opera House - Interior (Fonte: http://www.zaha-hadid.com/archive/)
Guangzhou Opera House - Interior (Fonte: http://www.zaha-hadid.com/archive/)
Mas experiências de formas não se
detêm somente aos edifícios. A Zaha Hadid é uma conceituada design e aplica
suas experiências em móveis e objetos. Um exemplo é sua cadeira Z. Mais sensato
seria chamá-la de escultura. O aço inoxidável moldado em curvas sinuosas (já
falamos aqui que é uma das marcas da arquiteta) cria um ritmo, de cheios e
vazios, dando leveza e transparência à cadeira, o que parece fazê-la flutuar.
No design clássico toda cadeira é uma cadeira, mas esta não! O que está em jogo
é o discurso da forma, a experimentação, e salvo a ergonomia (a maior função de
uma cadeira), ela se revela bela, elegante e única.
Cadeira Z (Fonte: http://saberdesign.com.br)
Cadeira Z (Fonte: http://saberdesign.com.br)
O “forte” da artista também está
presente no design dos calçados que criou para as marcas Lacoste e Melissa. No
primeiro, a peculiaridade do modelo está no formato ergonômico feito de malha
metálica, que expressa a “marca do crocodilo”. Com o movimento essa malha se
expande e se contrai adaptando-se ao corpo e formando um efeito de paisagem que
vai se modificando. Na marca brasileira Melissa a idéia de movimento inspirou a
fluidez do design. Sem fechamentos ou costuras a sandália se adequa
perfeitamente ao corpo, numa relação simbiótica.
Sapato Lacoste por Zaha Hadid (Fonte: http://dailymodalisboa.blogspot.com/)
Sapato Lacoste por Zaha Hadid (Fonte: http://dailymodalisboa.blogspot.com/)
Melissa Scarpe por Zaha Hadid (Fonte: http://www.designpvc.org)
Conclusão
Forma e função não devem estar desatreladas, seja qual for o
meio de concepção da forma (intuitiva, manipulação, experimentação).
Arquitetura é contextual e contingente, a forma nunca deve vir primeiro, como
observamos nos trabalhos dos arquitetos citados no decorrer do trabalho. Em
seus projetos forma e função se completam, na falta desses elementos, o outra
tem seu valor diminuído, esvaziando-se de sentido.
Bibliografia
Livro “The state of architecture at the beginning of the 21st
century”, capítulo “Form + Influence”.
http://saberdesign.com.br/content/genial-%C3%A9-forma-cadeira-z-zaha-hadid
http://www.novonucleo.com.br/blog/index.php?i=2&cod=119
http://www.zaha-hadid.com/archive/
http://www.designpvc.org/index.php/zaha-hadid.html
http://dailymodalisboa.blogspot.com/2009/06/lacoste-e-zaha-hadid-lancam-coleccao-de.html












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